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quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Gestão Pública - Opinião

Infelizmente, os novos políticos ainda continuam com o discurso sobre hospitais de tempos atrás e a primeira visão para quem quer mostrar serviço, começa com obras e depois atendimento por volume de demanda, ou seja, as emergências abertas.

A experiência já nos mostra que esta não é a saída, mais sim a repetição dos erros. No Rio de Janeiro as emergências dos hospitais públicos tiveram o apoio das UPAs, assim como outros hospitais tiveram suas características modificadas para serem centros de referencia, monitorados pelas centrais de regulação.

Ainda com estas pequenas ações, a saúde da população não melhora da noite para o dia e sim com trabalho e visão estratégica, como muito bem foi colocado por Antonio Pagliuso em seu artigo a SaudeBusinessWeb, Gestão Pública - Esperanças Legítimas.

A saúde começa em casa, com alimentação e hábitos de higiene saudáveis, condições de moradia condizente e humanas, e falando no tratamento da saúde, aí sim ter o primeiro contato através da atenção básica, nos postos e centros de saúde.

Apesar dos projetos da Estratégia de Saúde da Família e Agentes de saúde, os municípios pouco conseguem se organizar e promover de fato a atenção primária. Falta a estes gestores justamente a percepção mais ampla da necessidade de sua população e de estratégias viáveis que são em muitos casos custeadas pelas secretarias estaduais e governo federal.

Nunca deixo de comentar a necessidade de ferramentas de gestão, não somente no atendimento, melhoria da qualidade, seja através da humanização dos processos, acolhimento e classificação dos riscos, como também na obtenção e uso de informação para a gestão baseado em sistemas para a gestão hospitalar, centrais de relacionamento com os pacientes e prestadores e sistemas de apoio a decisão.

As estratégias de descentralização e regionalização promovidas pela saúde federal estão desonerando em parte a responsabilidades de alguns e sobrecarregado outros sem maiores recursos. Considerando ainda o gigantismo do sistema de saúde no Brasil e sua complexidade, a excelência da gestão deve ser exaustivamente incentivada e financeiramente apoiada, possibilitando ao gestor promover soluções diferenciadas e inovadoras conforme sua realidade local.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Gestão através do Complexo Regulador da Saúde

Cada vez mais os municípios brasileiros estão criando centrais de regulação de serviços de saúde, fomentados pela política nacional e pelo pacto de gestão. As publicações oficiais não demonstram de fato a grande ferramenta de gestão que se insere nas centrais de regulação ou a criação destas centrais ficam a desejar quando voltadas ao seu propósito inicial. Muitos municípios pequenos estão agregando as Centrais de Regulação no âmbito de suas regionais ou consórcios intermunicipais em busca de melhoria e ampliação da oferta de serviços e redução nos custos.

Independentemente do modelo da central, seja presencial quando o paciente vai até a central para realizar um agendamento, ou por telefone ou até mesmo valendo-se das tecnologias da informação e redes de telecomunicação para agendamento distribuído, o diferencial está no modelo de gestão da informação que é alimentada e uso da informação produzida.

O melhor modelo de gestão está em utilizar o complexo regulador não apenas para agendar serviços, mas também para identificar a qualidade da atenção aos pacientes, avaliar o nível de serviço ofertado, acompanhar os contratos e serviços contratados e assim promover a integração entre a prestação de serviços de saúde e a contrapartida financeira, entre custos, reembolsos, faturamento e glosas.

Operacionalmente, cabe ao complexo Regulador, captar junto à rede própria e aos contratados todos os serviços que serão disponibilizados, mantê-los atualizados periodicamente, avaliar diferenças comparando períodos anteriores e principalmente avaliar se os serviços terceirizados estão de acordo com os contratos.

Considerando a universalidade do atendimento, distribuição equânime dos recursos e principalmente a garantia de acesso aos serviços de saúde para toda a população, o complexo regulador deve ter a preocupação de distribuir os serviços proporcionalmente entre todas as regiões de sua competência. Atribuir cotas dos serviços é uma função árdua, mas tem por objetivo compreender melhor a necessidade da população, especificamente da região adscrita. Desta forma, o gestor maior, tem a possibilidade de avaliar a necessidade de mais uma unidade de saúde, remanejar recursos, novas contratações e assim por diante. Compreender a partir de um teto fixado, qual será a demanda reprimida e para quais serviços.

A cada serviço assinalado no Complexo Regulador, haverá uma contrapartida de débito nos contratos dos prestadores. Durante o período de trabalho, pode-se perceber que serviços são mais utilizados ou mais requisitados para cada prestador, identificar uma preferência da população ou a má distribuição dos serviços entre os prestadores. Orientar o gestor maior para propostas de mudanças nos contratos é obrigação do complexo regulador e parte disto é ter a co-responsabilidade na administração financeira nestes contratos, perceber déficits em alguns serviços e sobras em outros e assim promover remanejamento financeiro, ou repactuações no período. Ao final, avaliar o cumprimento dos contratos, quanto a mais foi pago e quanto deixou de investir. Orientar ou dar suporte ao faturamento mediante aos serviços regulados, permite que a equipe de faturamento promova melhorias em seu planejamento e se for a situação, cortes para serviços não realizados.

A grande diferença entre ter uma central de marcação e um complexo regulador é utilizar a ferramenta de forma correta. O que quero fazer, apenas agendar consultas e exames ou de fato implementar uma ferramenta de gestão que promoverá qualidade, melhoria nos serviços e maior visibilidade do que é a saúde?

Caberá aos gestores considerar que administrar a saúde com certeza não se encerrará através desta ferramenta, contudo aliada a outras ferramentas e estratégias promoverá maior integração das ações e garantia de sucesso.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Desafios para Regulação em Saúde

Nesta última sexta-feira, 14 de agosto tive o privilégio de apresentar palestra sobre regulação dos serviços de saúde, na VIII CMIG – Congresso Médico da Ilha do Governador, o convite feito por Dr. Rômulo Capelo, presidente da SOMEI, foi de pronto aceito tal qual o convite anterior de 2007, quando também apresentei palestra sobre Prontuário Eletrônico de Pacientes.

Na noite anterior, fomos agraciados durante a abertura solene do congresso com palestra do meu antigo professor de pós-graduação, Dr. Paulo Goskes, que falou sobre qualidade nas instituições e serviços de saúde. Sempre muito bem humorado, mostrou com a mesma clareza de sempre, a importância das ações de qualidade, ferramentas e benefícios esperados a partir de uma postura pró-ativa.

Demonstrou a importância da satisfação do cliente interno e externo, fechando sua apresentação com a celebre frase “Foi bom pra você?”. Parabéns ao amigo Paulo.

Na agradável manhã da Ilha do Governador, com uma platéia formada por profissionais de saúde, estudantes e representantes das várias associações médicas de bairro entre outros apresentei o tema, abordando o sentido da regulação em saúde sob a visão pública e sob a visão privada.

Para o contexto público, demonstrei que a opção por Regulação em Saúde cria instrumentos de gerenciamento e principalmente facilita o acesso aos serviços, anteriormente restritos ou “gerenciados” pelos prestadores. Preconizado pelo Ministério da Saúde, no Pacto pela Saúde e pela Vida, a regulação atenua as diferenças entre “quem tem conhecimento ou pistolão”, e quem não tem.

Usei casos reais de implantação de centrais de regulação, as formas de uso da tecnologia para permitir centrais presenciais, telefônicas 0800 e até mesmo regulação distribuídas entre os tomadores de serviços e prestadores.

A visão da regulação na saúde suplementar, focado na ANS como principal regulador e “legislador”, foi mais direta, uma vez que esta é a função da agência, criar mecanismos para enfrentar forças de interesses muitas vezes discordantes.

A palestra ficou ainda melhor ao seu final com a participação de várias pessoas da platéia, proferindo casos e experiências, questionando as funções da regulação atual, em seu modelo ainda problemático e com poucos recursos.

Ainda neste contexto falamos sobre a “judicialização da saúde” e a interferência nas políticas públicas, onde tem prevalecido o mandado de prisão e não a regulação. Este será um outro fórum.

Parabéns a Sociedade Médica da Ilha do Governador.